Manifesto do PEN - Partido Ecológico Nacional - PR, por Wilson Picler

A falta, a fartura e a revolução educacional


“Se hoje for um dia comum no planeta Terra, os seres humanos irão adicionar quinze milhões de toneladas de carbono na atmosfera, destruirão cento e quinze mil metros quadrados de floresta tropical, criarão setenta e dois mil metros quadrados de deserto, eliminarão entre quarenta a cinquenta espécies, causarão a erosão de setenta e um milhões de toneladas de solo, adicionarão duzentos e setenta toneladas de CFC à estratosfera e aumentarão sua população em duzentos e sessenta e três mil pessoas.”

David Orr, A alfabetização ecológica e a transição para um mundo pós-modernoAlbany: State University of New York


   O Ser Humano ainda traz entranhado no seu íntimo (e o que é pior, de forma inconsciente) o enorme período histórico em que, na luta incessante pela sobrevivência, habituou-se a encarar a natureza como uma “adversária” a ser enfrentada, vencida, domada, explorada. Em busca de sustento, segurança e conforto para si e os seus, desenvolveu técnicas, instrumentos e armas que lhe permitiram migrar do universo tribal para o convívio em maiores e mais plurais formas de organização social.

 A partir daí, acreditando ser isso um ingrediente inevitável do dito “progresso da civilização”, passou a assumir estilos de vida e modelos sociais cada vez mais calcados, por um lado, na violência e na dominação dos mais fracos e, por outro, na exploração desenfreada dos recursos naturais. Próximos da fartura, mas ainda com o pensamento na falta, nós, os orgulhosos humanos tecnológicos, passamos a praticar as premissas do “homo hominis lupus” (o homem é o lobo do homem), e levar o ambiente terrestre bem próximo do esgotamento total (e final, ao menos para nós).

Acreditamos que a injusta distribuição do saber, que (de)forma alguns para ditar regras e a imensa maioria para obedecer sem discussão é o que perpetua essa situação anômala e perversa, que alguns tentam vender como único modo possível de organização social.

Para nós, do Partido Ecológico Nacional (PEN), a solução está na educação para a sustentabilidade. Temos propostas claras e efetivas para um sistema de ensino não apenas voltado unilateralmente ao preparo de técnicos e profissionais competentes destinados ao mercado de trabalho imediato (dentro da cultura predatória do “curtíssimo prazo”), mas também (e sobretudo) à formação de pessoas de bem e cidadãos responsáveis, capazes de pensar e agir no longo prazo, que, afinal de contas, é o tempo natural do planeta.

O PEN trabalha para que essa avançada visão de longo prazo prevaleça, despertando as consciências (e consequente responsabilidades individuais) por meio da educação sustentável. Só ela será capaz de fazer com que a irracionalidade beligerante e destrutiva da civilização da falta evolua para a fraterna e inteligente civilização da fartura, um horizonte para o qual valem a pena toda a organização, todos os esforços, todos os recursos e todos os sacrifícios que possamos empregar.

Wilson Picler
Educador, empresário e Presidente do Diretório Estadual do Paraná do PEN - Partido Ecológico Nacional

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