segunda-feira, 21 de maio de 2018

Congresso avilta vontade popular, diz Picler

A democracia brasileira, consagrada na Constituição de 1988, vem sendo aviltada por políticos que deixaram de respeitar a vontade da população, disse neste sábado, 12, o professor Wilson Picler durante debate sobre soberania popular em Curitiba. "O voto é sagrado em uma democracia e representa a vontade da maioria que escolheu representantes, que não foram eleitos para fazer essa roubalheira que temos visto", completou o presidente da Uninter. 



No atual momento, a maioria dos integrantes do Congresso Nacional, conjunto de senadores e deputados federais, precisa entender que perdeu a admiração do povo. "Perderam o apoio do povo e na democracia o poder emana do povo e o povo agora quer que prendam os corruptos", afirmou Picler. 

"O povo não quer a procrastinação, protelação até para prescrever as penas", avaliou. Picler disse que o ideal será a convocação de um plebiscito, uma consulta em que a população possa expressar a vontade e opinião sobre os políticos que estão respondendo processos por corrupção. "É instrumento da Constituição e por que não fazem um plebiscito, que seria um sufrágio universal?", questiona.

Democracia - A Constituição de 1988, segundo Picler, deixa claro que a democracia é o respeito à vontade popular. "Sou democrata na sua mais pura expressão da palavra. Para mim vale a vontade soberana do povo". 

O presidente da Uninter ressaltou o que está preconizado no primeiro artigo da Constituição. O artigo diz que a República Federativa do Brasil é formada pelos estados e municípios e distrito federal e constitui-se no estado democrático de direito. "Tem fundamento. O que é um estado democrático de direito? É um estado onde o direito emana da vontade do povo, é o poder do povo", ressaltou. 

Picler lembrou que, logo apos a restauração do regime democrático, a população elegeu através do voto direito seus representantes que formaram a Assembleia Constituinte e foram responsáveis por escrever o estatuto maior do Brasil. "O que se discute agora é que, se após aprovado o estatuto, o povo perdeu este poder que deu na mão dos deputados e senadores e encerrou a conversa".

Aviltamento - "É aí que reside o problema", disse Picler ao analisar que hoje o Congresso Nacional está mais voltado ao aviltamento da vontade da população. A Constituição de 1988 fala ainda em soberania, cidadania e livre arbítrio. "Todo poder emana ou não emana do povo?", indagou. 

"Emana do povo, que é quem tem o poder de eleger seus representantes diretos", disse. Picler reforçou ainda que muitos dos ditos representantes do povo, aqueles previstos na Constituição de 1988, deixaram de ler e colocar em prática o previsto em primeiro artigo. "Nestes termos, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, mas o que temos visto é uma prática contrária ao interesse da democracia e soberania popular".

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A internet melhorou ou piorou nosso mundo?

Por Wilson Picler

Faço parte da última geração de pessoas que viveu em um mundo sem internet. Mas não pensem que sou nostálgico, daqueles que suspiram de saudades por um mundo que não existe mais. Não me entendam mal, valorizo muito a importância das experiências que vivemos como tijolos que esculpiram as pessoas que somos no momento presente. Porém, há momentos na vida em que é preciso mirar para o alto e avante, como diria aquele super-herói dos gibis, e não podemos nos apegar demais ao passado. 

A internet, por exemplo. Tornou-se lugar comum dizer que a internet está tornando as pessoas mais dispersas, superficiais, egocêntricas. Não estranho estas opiniões, uma vez que cada geração costuma afirmar, de forma afirmativamente categórica, que “na sua época” o mundo era melhor. 

Mas, quando lembro que testemunhei tempos em que pessoas faziam filas em frente a orelhões para falarem ao telefone com parentes, motoristas levam guias de ruas, com centenas de páginas de mapas de uma cidade para acharem determinado lugar, e jovens passavam o dia ouvindo rádios FM, esperando até que sua música favorita começasse a tocar a fim de gravá-la em fita-cassete (torcendo para que o locutor não tagarelasse antes que a canção acabasse ou para que não soltasse a vinheta da rádio no meio do refrão), penso duas vezes antes de criticar estes tempos online. 

Dentro de todo este contexto, é claro que não posso deixar de citar minha querida Uninter, da qual tanto me orgulho. Graças às mais avançadas tecnologias da atualidade, propiciamos educação a distância, da mais alta qualidade, para milhares de alunos. Dentre eles, pessoas que possuem dificuldade em se deslocarem nos grandes centros urbanos cada vez mais congestionados, ou estudantes que precisam conciliar o tempo de estudos com vida profissionais agitadas, e que sem as modalidades de EAD teriam muito mais dificuldade para complementarem seus estudos. Como elas fariam sem internet? 

Sim, é claro que sei que nem tudo são flores. Se, por um lado, a educação à distância é a solução ideal para quem tem menos tempo para frequentar cursos presenciais, por outro lado perdem a oportunidade de conviverem mais com professores e os vínculos afetivos que se estabelecem com a “turminha do fundão” e os colegas com quem dividimos apontamentos a lápis ou uma cerveja após o fim das aulas. 

Mas, assim como a Uninter oferece dezenas de cursos de graduação presencial e semipresencial, creio que é perfeitamente possível unir o melhor de dois mundos. Aos que dizem que internet é perda de tempo para quem vive postando selfies, entretendo-se com games e memes ou brigando em redes sociais, é possível contrapor esses exemplos citando as pessoas que estão aproveitando o fato de que o universo online é a maior sala de aula dos nossos tempos, vide as milhares de pessoas que estão se dedicando a cursos online, compartilhando ideias e conhecimentos, fazendo novos amigos e dedicando-se às novas profissões destes tempos, seja com e-commerce, redes sociais ou desenvolvimento de novos aplicativos. 

A internet certamente representa uma revolução no modo como vivemos. Trouxe mudanças inevitáveis em nossa vida, e cabe a nós encararmos estes desafios da melhor forma possível, através da busca de aperfeiçoamento pessoal e novos conhecimentos. Afinal, é só assim que seremos capazes de construir os alicerces que sustentarão os nossos castelos de sonho. 

Wilson Picler, professor, físico, presidente da Uninter Educacional